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Muitos projetos, muitas idéias, poucos recursos

Publicado em 11/08/2011

Faltam recursos, faltam patrocinadores, faltam contrapartida financeira e editais mais específicos. Com tantas faltas, o arranjo é que sai perdendo.
 
 

Há tempos, ouve-se dizer que o arranjo de rochas ornamentais precisa de projetos concretos que fomentem o setor, movimentem a cadeia e tragam resultados positivos. Há tempos, também as instituições do arranjo, como Cetemag, Cetem, Sindirochas e demais entidades co-irmãs, apresentam projetos que têm justamente essa proposta: impactar positivamente a cadeia de rochas.

Assim como nos anos anteriores, muitos projetos surgiram em 2008, mas poucos conseguiram sair do papel. Por que será que é tão difícil colocar essas idéias na prática? De acordo com o superintendente do Cetemag, Herman Krüger, a entidade tenta, a todo custo, aprovar seus projetos em editais públicos, mas essa não é uma tarefa fácil.

“Desde que assumi a superintendência do Cetemag ouço as pessoas falando que existem recursos federais e estaduais para o arranjo de rochas e o que falta são bons projetos. Isso é estranho, uma vez que preparamos bons projetos, que atendem às necessidades do setor, mas que até hoje não conseguiram aprovação”, explica Herman.

Um dos grandes questionamentos dos empresários, entidades, autarquias, bancos e governo, que operam paralelamente junto ao setor de rochas, é a falta de articulação junto aos especificadores (arquitetos, designers, engenheiros e construção civil como um todo). Todos afirmam que já passou da hora de haver uma sintonia entre esses agentes e o setor.

Esses projetos custam muito dinheiro e não conseguirão se desenvolver se não forem acolhidos e não tiveram a devida atenção tanto de empresários quanto do governo. O objetivo é aproximar quem especifica o uso dos materiais nas obras, criando manuais de especificação e aplicação, apresentando a cadeia produtiva de rochas, seus materiais, especificações, onde e como devem ser utilizadas, estimulando maior utilização. Atualmente, ela não chega a 5% dos revestimentos consumidos no setor da construção no Brasil.

Outra alternativa é que, paralelamente, as empresas que fabricam os insumos utilizados na aplicação das rochas – seja em pisos, bancadas, revestimentos internos e externos – trabalhem melhor a sua usabilidade com os especificadores. As resinas, argamassas, isolantes, inserts metálicos que existem hoje são os mais adequados? Podem ser melhorados? Os técnicos da construção civil, junto com engenheiros e arquitetos, realmente estão preparados para utilizar esses insumos? As técnicas aplicadas no Brasil são as mais adequadas quando comparamos à Europa, que usa rochas a mais de dois mil anos?
Herman afirma que é necessária maior interação técnica por parte das empresas fabricantes junto aos produtores de rochas e especificadores. “A indústria de Cerâmica, carpete e tintas, por exemplo, em relação a seus problemas, encontra-se anos a frente das demandas do setor quando discutimos esse problema”.

Um dos projetos é a “Maratona de Palestra para Especificadores” na Casa Cor ES, idéia apresentada pelo designer Ludson Zampirolli, para levar informações a esse público específico. Ele ainda não saiu do papel porque faltam patrocinadores e editais em que se enquadre, para conseguir verba.

Outro exemplo aconteceu na última edição da Cachoeiro Stone Fair, realizada em agosto. Foi montado o Pavilhão do Mármore para mostrar a profissionais de arquitetura selecionados de todo o Brasil a dimensão da cadeia produtiva de rochas e o que pode ser feito com seus materiais.

O pavilhão foi montado com recursos da Milanez Milaneze e apoio não-financeiro de poucas empresas. O Bandes subsidiou R$ 20 mil e outras instituições e Governo não se manifestaram em relação ao projeto que, em geral, é cobrado por elas mesmas. A ação poderia alcançar resultados expressivos e fazer parte de uma ação continua, recebendo especificadores de todo país, contudo, os investimentos não foram suficientes.

Esta ação é tida como prioritária dentro do setor, principalmente pelo Cetemag e Sindirochas. Mas o presidente do Cetemag, Emic Malacarne Costa, afirma, embora se proclame a existência de fundos e recursos, até o momento, mesmo com toda a mobilização, não se consegue nenhum investimento. “As instituições fazem a parte delas conseguindo boa parte do valor necessário com os empresários, mas falta o setor público cumprir a sua função nestes casos”, desabafa.


Análise do Ciclo de Vida

Um exemplo claro de como até mesmo os melhores projetos não conseguem verba é a Análise do Ciclo de Vida das Rochas Ornamentais (ACV). Em setembro de 2007, o designer Ludson Zampirolli, em reunião com o superintendente Herman e com o diretor-executivo da Aamol, Nelsimar Bastos, apresentou a idéia e, desde então, uma batalha tem sido travada para executá-lo.

“Desde o início, enxergamos a preciosidade do ACV. Como a magnitude do projeto vai além do Cetemag, entramos em contato com o Cetem, através da pesquisadora Mônica Castoldi Borlini, e do coordenador do Campus Avançado, Adriano Caranassios, que também entenderam o projeto e aceitaram fazer parte dele. A idéia foi apresentada ao Sebrae, que liberou um consultor para monta-lo conosco”, contou Herman.

Em 30 dias o projeto foi montado, quatro empresas foram convocadas e ele foi enviado para o Finep, através da chamada pública Nº 04/2007 MCT/FINEP. Mesmo assim, não foi aprovado.

“Há mais de um ano estamos buscando recursos para este projeto, porque sabemos de sua relevância para o arranjo de rochas. O desenvolvimento de um bom projeto também depende do apoio de instituições públicas e privadas”, explica a pesquisadora do Cetem, completando que ainda estão à procura de recursos e apoio.

Herman lembra que, neste projeto, as entidades envolvidas não pediam para o Finep bancar todo o custo. As entidades e empresas dariam R$ 500 mil, em suportes técnico, científico e financeiro, enquanto os recursos do governo arcariam com R$ 500 mil que faltavam. “Mesmo assim, não conseguimos os recursos. O projeto também foi apresentado para outras instituições públicas, em reuniões governamentais, e mais uma vez nada aconteceu”, disse o superintendente.

O ACV já é realidade nos países concorrentes do Brasil, como Itália, Inglaterra e Espanha. A ironia é que, um ano depois de sua apresentação, o arranjo de rochas se depara com o problema do radônio, com empresas e entidades se desdobrando para dar uma resposta aos mitos que foram criados sobre a quantidade de radônio liberado pelo granito.

“Sem dúvidas o ACV seria uma resposta para isso, pois seu objetivo é justamente mostrar o impacto que as rochas produzem, desde sua extração a seu descarte, bem como demonstrar que é sim um produto seguro e ambientalmente mais eficiente do que seus concorrentes. É importante que se olhe com mais seriedade as idéias do setor”, diz Emic.

De acordo com o presidente do Cetemag, só no ano de 2008, oito projetos foram apresentados às instituições e editais públicos e apenas um conseguiu recurso. “O que falta? Poderíamos enumerar argumentar sobre cada um, mas não é essa a questão. O arranjo precisa se mobilizar para cobrar contrapartida do setor público”, explica Emic.

O presidente do Cetemag completa, falando do projeto Valorização e Aproveitamento dos Mármores do Sul do Espírito Santo. ”Para o mapeamento da lente de mármore, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do professor Edson Farias, conseguiu um recurso que não ultrapassa R$ 80 mil. Esse é um projeto que já está em andamento e também é considerado estratégico, cujo valor estimado é de R$ 250 mil. Se não conseguirmos levantar o valor restante, com muito esforço iremos atingir resultados abaixo do que poderíamos atingir”, diz Emic.


Sebrae

Em meio a tanta burocracia e dificuldade, o superintendente do Cetemag destaca a que a atuação do Sebrae tem sido positiva, observando uma grande disposição da entidade junto ao setor de rochas.

“Diversas ações nascem, acontecem e são realizadas em parceria com o Sebrae. Atualmente, estão em andamento reuniões e projetos junto com um grupo de marmorarias de Vitória, os convênios Inteligência Competitiva e Indicação Geográfica, em fase final de assinaturas junto ao Cetemag, e outros projetos que caminham junto com o Sindirochas”.

Com o Cetemag, os valores destes projetos ultrapassam a casa dos R$ 700 mil, um valor considerável para execução dos convênios acima citados.


Gargalos

O presidente do Cetemag afirma que há muitos gargalos no setor e que, em geral, existem projetos para solucioná-los. No entanto, tais projetos acabam se deparando com outro gargalo: as supostas fontes de recursos não se abrem como deveriam ao arranjo de rochas, deixando seus projetos preteridos pelos de outros setores.

Emic explica que o setor de rochas ornamentais, cujas exportações fecharam o 1º semestre de 2008 com um faturamento de US$ 472,43 milhões, sendo o Espírito Santo responsável por cerca de 65% (US$ 307 milhões), gera muita arrecadação para o Estado e o País. “É inadmissível que um setor que contribui tanto para movimentar a economia capixaba e nacional não consiga recursos necessários para suprir os entraves naturais da própria movimentação econômica”.

O presidente completa, pedindo maior mobilização do setor: “Para o ano de 2009, nós empresários temos que nos mobilizar e tentar reverter este quadro. Já passou da hora de o arranjo de rochas ornamentais receber os devidos investimentos a fim de suprir nossos problemas”, finaliza Emic.


Investimentos

Instituições sem fins lucrativos de todo o país tem esbarrado no problema das contrapartidas que podem ser financeira ou não financeira. As contrapartidas financeiras num projeto podem significar, por exemplo, que o Governo ou autarquia entre com 50% dos recursos financeiros e a instituição entre com os outros 50%. O que é muito pesado, no caso do Cetemag. Para a entidade executar entre três a quatro projetos/ano, como esses citados, deveria ter pelo menos entre 800 e 1000 empresas associadas, pagando a menor mensalidade, que gira em torno de R$ 80,00/mês. “Daí teríamos fundos para poder conseguir fundos públicos. O problema é que as próprias empresas não conseguem enxergar essa conta que, no final, beneficiaria elas mesmas” explica Herman.
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