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Empresas chinesas vão produzir máquinas pesadas no Brasil

Publicado em 11/08/2011

Grupos chineses que até agora apenas exportavam máquinas para construção e mineração decidiram produzir esses equipamentos no Brasil. Por volta de 20 marcas disputam um mercado que, de janeiro a julho deste ano, negociou 8.195 unidades, crescimento de 54,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com 20 mil funcionários e seis fábricas na China -uma delas na capital do país, em Pequim- e unidades nos Estados Unidos e na Índia, o grupo Sany escolhe um terreno para se estabelecer na região de Campinas (SP). "A compra deve ser fechada ainda neste ano", disse à Folha de São Paulo Shen Chao, diretor de vendas e marketing. A empresa planeja investir, ao todo, US$ 100 milhões no empreendimento. Mil empregos devem ser criados.

"Em São Paulo está o centro da economia do Brasil. O Estado tem as melhores condições logísticas", afirmou Shen. Na avaliação da Sany, empresa fundada em 1989, o mercado brasileiro se destaca pela "força em recursos naturais". A nova fábrica funcionará como plataforma para a América Latina.

Essa também é a intenção da Liu Gong, outra empresa que vende no Brasil escavadeiras e outros equipamentos pesados fabricados na China. O grupo estuda a implantação de uma fábrica em Minas Gerais para os próximos dois a três anos, relata Alberto Orellana, diretor da BH Máquinas, parceira da companhia chinesa.

Fundada há 50 anos, atualmente a Liu Gong conta com cinco fábricas na China e uma na Índia desde o fim do ano passado. No Brasil, a empresa tem intenção de investir até US$ 200 milhões.

Câmbio

A valorização do real -que facilita as compras de outros países- está na raiz do movimento que vem resultando no interesse de grupos chineses investirem em fábricas próprias no Brasil.

No ano passado, as vendas de máquinas importadas para construção e mineração somaram 1.425 unidades, crescimento de 87,8% ante 2006. De janeiro a julho deste ano, foram 1.510, número superior a toda a comercialização de importados em 2007.

Esse movimento é tão intenso que as importações de escavadeiras e tratores de esteira não cresceram apenas da Ásia. As empresas que estabeleceram suas fábricas no Brasil desde o século passado também trazem mais máquinas de suas instalações na Europa e nos EUA para abastecer o mercado.


Essa tendência não pára. Mais fornecedores de outros suprimentos se voltam para o Brasil. Um exemplo é a chinesa Evergreen, que fechou parceria de exclusividade com a brasileira Pethra Trade em 2007. A empresa aproveitou a Equipo Mining, evento realizado na semana passada em Nova Lima (MG), para mostrar seus enormes pneus fora de estrada.

"Temos de vencer dois desafios: a resistência a pneus importados e a fama de baixa qualidade do produto chinês", diz Carlos Henrique Silva, diretor comercial. Para tentar contornar essas restrições, a empresa oferece o monitoramento a distância do desempenho dos pneus, relata Juliana Souza, responsável pela área de planejamento financeiro.

Reação

A entrada dos chineses na fabricação de máquinas para mineração e construção no Brasil aproveita o momento de expansão. Apenas em minério de ferro, a expectativa é que o país alcance 570 milhões de toneladas em 2012, aumento de 52% em relação aos 375 milhões de toneladas previstos para este ano. "O PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] amplia a demanda por obras de infra-estrutura", diz Marco Borba, diretor de vendas e marketing da América Latina da New Holland Construction, empresa do grupo Fiat.

Para César Couppê Schmidt, gerente comercial da Liebherr Brasil, "o mercado tem espaço para todos". Para ele, os chineses vêm ocupando um nicho. "Não apenas a China, mas também a Coréia", diz Roque Reis, responsável pela área de vendas e marketing do Brasil e da Argentina da Case Construction, também do grupo Fiat.

Para Borba, da New Holland, "cada um vai ter de oferecer vantagens competitivas". A empresa vai bater na tecla da qualidade de atendimento e da estrutura de pós-venda de sua rede no país. Discurso semelhante têm Reis, da Case, e Schmidt, da Liebherr. O desempenho do setor, no entanto, não é imune a obstáculos. O aumento do preço das commodities minerais traz uma conseqüência adversa -impacto nos custos de fabricação dos equipamentos. "Apenas neste ano, o valor da chapa de aço passou de 20%", diz Borba, da New Holland.
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