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A bolha americana estourou. E agora?

Publicado em 11/08/2011

A crise nos Estados Unidos, que causou estragos mais fortes na economia mundial em setembro, é uma velha conhecida do setor de rochas ornamentais. No Espírito Santo, os empresários do segmento já sofrem com a queda das vendas para o mercado americano desde os primeiros sinais de turbulência.

Só no último mês de agosto, as exportações nacionais do setor tiveram uma queda de 19,53% em relação ao mesmo período de 2007, com um volume de US$ 83 milhões, equivalente a 153 mil toneladas. No acumulado do ano, a queda está na casa dos 11,83%.


A redução se explica pela paralisação de novas construções nos Estados Unidos. Como há muitos imóveis disponíveis, a oferta acaba sendo maior do que a procura por granitos. Além da baixa demanda, as empresas brasileiras que atuam no mercado americano enfrentam a retração do crédito e têm dificuldades para receber os pagamentos.


O resultado é uma piora nas expectativas dos empresários capixabas, que já falam em queda na ordem de 20% em 2008 e 2009 nos negócios do setor de rochas.


“Há várias empresas fechando e outras enxugando. Investimentos, nem pensar”, lamenta o conselheiro do Centrorochas e proprietário da Tracomal, Geraldo Santana Machado.


Ele avalia que, até o final de 2009, será necessário diminuir a produção e investir na aplicação de granitos em outras atividades. Apesar de esperar um impacto positivo do pacote de ajuda do governo Bush aprovado pelo Congresso americano, de R$ 850 bilhões, o conselheiro do Centrorochas acha que os efeitos só serão sentidos no longo prazo.


Por enquanto, o caminho para driblar a crise é reduzir custos e produzir de acordo com as vendas. “Acredito que devemos ter mais cautela e profissionalizar mais o nosso setor”, comenta.


O advogado Marcus Soares, assessor jurídico do Centrorochas para cobrança nos Estados Unidos, também vê necessidade de profissionalização. Ele explica que as empresas americanas estão sendo mais duras e restritivas em sua política de crédito.


“Recomendo que as empresas brasileiras do setor de rochas busquem se profissionalizar, fazendo políticas de crédito coerentes com o momento atual”, afirma.


Segundo Soares, o mercado vai passar por um processo de “limpeza” e reorganização, eliminando as empresas que não são competitivas.


Pior crise desde a Segunda Guerra


Um dos maiores efeitos da crise é a falta de confiança no mercado financeiro internacional, que provoca escassez no crédito. O vice-presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex) e presidente da Famex Comercial, Marcilio Machado, explica que os bancos ficaram mais rigorosos na concessão de financiamentos.


Ele considera esta a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, nota que há comprometimento político dos países mais ricos para amenizar o problema e permitir que o mercado funcione. “Precisamos, contudo, nos preparar para os solavancos”, adverte.


Segundo ele, o pacote do governo americano deve atenuar o problema. “O pacote poderá mostrar aos consumidores e à sociedade americana que o governo está disposto a agir e agirá de modo a evitar um problema de dimensões muito maiores”, avalia.


Mesmo assim, dificilmente os Estados Unidos escaparão de uma recessão em 2009, sem prazo para ser solucionada.


“Temos que estar preparados para uma redução da demanda, principalmente nos Estados Unidos e Europa. Como os Estados Unidos também são o destino dos produtos exportados pela China, deverá haver uma redução do crescimento daquele país. No curto prazo deveremos ter muito cautela ao tomar decisões, pois o mercado estará cheio de incertezas”, diz Machado.


A dica é manter os custos sob controle e tentar nichos de mercado menos atingidos pelo problema de crédito e que ainda precisem de produtos do setor.


“Não aconselho a abandonar o mercado externo, mas devemos olhar com muita atenção para as oportunidades do mercado brasileiro, que poderá ver o seu PIB (Produto Interno Bruto) crescer em 2009, embora um pouco menos”, sugere.


O assessor jurídico do Centrorochas nos Estados Unidos, Marcus Soares, prevê a continuidade da queda do mercado até um ponto de equilíbrio, com uma correção dos preços sobrevalorizados. Ele acredita que o mercado vai se reestruturar, porque não pode se manter com a política de crédito atual. “Quem conseguir um mix de política e preços adequados sobreviverá no mercado americano”, avalia Soares.


Histórico


A crise na economia mundial começou no segundo trimestre de 2005, com uma onda de “foreclosure”, a execução de hipotecas imobiliárias por não-pagamento, nos Estados Unidos.


Essa situação foi provocada por quatro anos de muita especulação, valorização excessiva e necessidade de renegociação de dividas, que geraram novos empréstimos, com taxas mais altas.


Os bancos estenderam o crédito sem avaliar os riscos corretamente, sempre cobrando taxas de juros altas para o final do contrato.


Com a crise no mercado imobiliário americano, as exportações de rochas ornamentais das empresas capixabas caíram, afetando todo o setor.



Previsões


Existem estimativas que apontam para uma década até que o problema nos Estados Unidos seja solucionado. Até lá, os preços dos imóveis continuarão caindo, devido à grande oferta.


Outra previsão fala que, até 2010, continuará havendo redução de valor no mercado imobiliário, chegando a uma queda de 20%.


Uma terceira estimativa diz que esta queda ou ajuste que começou em 2005 representará uma perda média 18% nos Estados Unidos e 33% dos mutuários terão imóveis com valor abaixo do mercado.


Impactos


Em agosto, as exportações do setor de rochas no Espírito Santo caíram 16,5% em relação ao mesmo período de 2007. O volume foi de US$ 55,3 milhões, equivalente a 86,5 mil toneladas. Com exceção da Ardósia, todos os produtos apresentaram queda elevada.


No acumulado do ano, até agosto, o setor registrou um volume de US$ 648 milhões, correspondentes a cerca de 1,3 milhão de toneladas. É um resultado 11,83% inferior ao registrado no mesmo período de 2007.


Desse montante, o Espírito Santo participa com cerca de 66% , Minas Gerais com 22%, cabendo aos demais estados da federação, os 12% restantes.

A bolha americana estourou. E agora?

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